2010/02/09

Crónica do Miguel Sousa Tavares



1 Dez dias longe daqui, lá onde faz sol e se respira alegria, e tanta coisa a acontecer por aqui, na minha ausência! Tanta coisa, mas verdadeiramente nada de novo: continuam a chuva e os dias cinzentos que tinha deixado para trás, continua o campeonato dos túneis, com um campeão já destinado e um árbitro que perdeu o pudor de esconder o jogo, e continua o País inteiro à escuta — mas agora já não é só dos telefones, mas também das conversas de restaurante. Nada de novo, portanto. Portugal parece um náufrago que esbraceja desesperadamente para se manter à tona de água. Mas, quanto mais esbraceja, mais se afunda. E sem glória.

Perdi nada menos do que três jogos do FC Porto e até parece que a minha ausência deu sorte: vitória convincente com o Nacional, na Madeira, exibição de luxo e arraso do Sporting para a Taça, e vitória tranquila e por números correspondentes contra a Naval. Três jogos, três vitórias, doze golos marcados, dois sofridos, dois pontos recuperados ao Benfica para o campeonato, o caminho desbravado largamente para repetir a vitória na Taça de Portugal: nada mau. Quando precisarem que eu me afaste outra vez, é só dizerem.

3 Tal como eu tinha previsto (e tanto suplicado!), rezam as crónicas que Rúben Micael chegou e logo fez a diferença. Aliás, bastou ver a azia e o incómodo que todos os comentadores benfiquistas manifestaram com a sua compra pelo FC Porto para confirmar que também eles sabiam que tínhamos acertado no alvo. Gozei à grande ao ver o despeito, a inveja e a ironia pífia com que eles acolheram a transferência do madeirense para o clube que o vai transformar num caso sério do futebol português.

Entretanto, eles também gozaram muito com a contratação abortada em cima da hora do Kléber. Eles gozaram, mas eu suspirei de alívio. Não apenas porque era uma contratação muito cara, mas, sobretudo, porque ele já vinha com a folha feita, com a imagem de marca de jogador indisciplinado e impulsivo: ainda ele não tinha assinado e já a Comissão Disciplinar da Liga estava a afiar o dente. Livrámo-nos de um problema: eles não o iam deixar jogar.

Como perderam a vergonha, agora inventaram também um túnel para o Braga. O pretexto e as imagens que supostamente registariam agressões que ninguém viu ou relatou, são simplesmente de anedota. Depois do FC Porto, o Sporting de Braga: nunca o descaramento chegou a este ponto.

Vi também, e finalmente, as tão propagandeadas imagens do túnel da Luz, sobre as quais e durante dois meses foi alimentada uma fábula tenebrosa, que prometia imagens eventualmente chocantes, de uma violência sanguinária, com pontapés na cabeça a mártires já tombados no chão e outras coisas de estarrecer. Mas, afinal, ó Senhora dos Aflitos, se alguém conseguiu ver ali, mesmo «frame a frame», um autor e uma vítima de agressões, naquela molhada indistrinçável de gente, das duas uma: ou é de uma má fé que requer tratamento psiquiátrico, ou deve ser contratado pela CIA para encontrar o Bin Laden nas grutas do Khyber Pass. É então por aquilo que o dr. Ricardo Costa mantém o Hulk fora de jogo há dois meses, (e para já não falar na sua risível tese jurídica de que um segurança, situado onde não pode estar e entretido a provocar jogadores e dirigentes adversários a caminho do balneário, é um agente desportivo)?

Preto no branco: é preciso aliviar também o futebol português deste senhor. Porque até ao Benfica ele pode causar danos. Se este ano o Benfica — porque tem uma grande equipa, um treinador que tem provado e joga um futebol como deve de ser — vier a ser campeão, nunca mais se livrará da fama de o ter sido em parte decisiva graças à ajuda impudica do CD da Liga. E este Benfica, de Jorge Jesus, merece melhor fama do que o de Trapalhona, com jogos deslocados do seu sítio, jogadores adversários contratados antes de os enfrentar, e todos os últimos jogos resolvidos a peraltices e livres frontais à entrada da área.

Os vídeos com que tanto nos massacraram como «a» prova decisiva, são uma anedota pública. Dão vontade de rir, se isto fosse a feijões. Estão ao nível da restante programação do Canal Benfica.

5 Quem me lê habitualmente, sabe que pouco ou nada venho escrevendo sobre o Sporting. E que o pouco ou nada que fui escrevendo foi apenas para dizer que, em minha opinião, o Sporting não tem equipa e não sei se tem futuro. O estoiro do Sporting não me surpreendeu, pois, em coisa alguma. Esta época, não lhe vi um único jogo bom, de princípio a fim, e o único jogador ali em que vejo qualidades para um candidato ao título é o eterno Lidou. Tudo o resto são banalidades, com dois ou três que, de vez em quando, jogam bem — mas só de vez em quando.

Sem dinheiro para ir ao mercado, convencionou-se que o Sporting tinha um mercado próprio, barato e alternativo, que era a Academia de Alcochete. Tudo o que saía de lá era produto de qualidade garantida, pronto a jogar na equipa principal e logo depois apto a despertar a cobiça de um tubarão europeu. Pura ilusão de desejos tomados por realidades: não nascem Cristiano, Nanais e Quaresmas todos os dias. E, assim como o FÃ Porto faz mal em não aproveitar nunca um só dos jovens saídos da sua academia, também o Sporting comete o erro oposto de imaginar que tudo o que forma serve e basta. Mas, afinal, o barato saiu caro.

Agora, mais uma vez aboletado com dinheiros confusamente recebidos da Câmara Municipal de Lisboa, o Sporting lá se abalançou a umas compras de Inverno. Mas não só elas vêm tarde para salvar uma época perdida na programação, como também as compras feitas em estado de necessidade raramente se revelam boas opções.

6 Por falar em dinheiros da CML: recordar-se-ão os meus leitores que há um par de anos mantive aqui uma polémica com Pedro Santana Lopes, quando ele era presidente da CML e colunista deste jornal. Eu acusei a CML de ter celebrado contratos com o Sporting e o Benfica, para ajudar ao financiamento da construção dos novos estádios de Alvalade e da Luz, que eram um abuso do ponto de vista do interesse público. Ele respondeu que eu estava a mentir, quando referia várias disposições dos contratos que sustentavam a minha tese. Eu desafiei-o então a mostrar-me os contratos. Ele não respondeu. Eu consegui os contratos por outra via e publiquei aqui as partes mais relevantes, que confirmavam tudo o que havia escrito. Ele respondeu que estava de férias e não tinha os papéis com ele, mas que, mais tarde, me responderia. Até hoje…

Pois bem: o relatório da Policia Judiciária, agora remetido ao Ministério Público, confirma tintim por timo tlim tudo o que então escrevi. Nomeadamente, que os contratos foram ruinosos para a autarquia e a empresa pública municipal EPUL; que, entre outras coisas (como o direito a construção nos terrenos junto ao Alvalade XXI muito para além do que o PDM permitia), a EPUL antecipou a Benfica e Sporting 15 milhões de euros a cada, por conta dos lucros que a empresa municipal iria facturar na urbanização de uns terrenos públicos (que nunca chegou a levar a cabo) e em que, não se percebe porque carga de água, metade dos lucros caberia ao clubes — que não entravam nem com um metro de terreno nem com um euro de investimento; e que, cúmulo dos cúmulos, comprou ao Benfica por 32 milhões de euros um terreno que ela própria lhe havia doado anos antes com a condição de o clube ali fazer equipamentos desportivos, que nunca fez.

Eu sei que de nada serve ter razão fora de tempo. Mas o que me chocou na altura foi que a imprensa de Lisboa tenha ficado muito caladinha — ela, que havia agarrado com mãos ambas a guerra de Rui Rio contra o FC Porto, por causa da urbanização das Antas, onde tudo o que estava em causa era saber se os terrenos do FC Porto permutados com a CMP tinham ou não sido sobreavaliados. Por causa disso, fez-se um escândalo nacional, Rio foi eleito herói de Lisboa, o IGAT (a inspecção do Ministério da Administração Interna) abriu um inquérito, o MP instaurou uma acção e o anterior presidente da Câmara do Porto, Nuno Cardoso, que havia negociado com o FC Porto, acabou julgado e condenado em tribunal. Mas, pelo menos, o FC Porto tinha terrenos seus, comprados com o seu dinheiro, e não recebeu um euro ou um metro quadrado da CMP para construir o Estádio do Dragão. Enquanto que Benfica e Sporting, que não tinham nada, receberam terrenos, dinheiro, muito dinheiro, bombas de gasolina e autorizações de construção excepcionais nos terrenos que lhes foram dados pela CML. E nem o IGAT, nem o Ministério Público, nem a imprensa de Lisboa, viram nisso nada de anormal… até agora, quando já nada há a fazer, para evitar o esbulho de bens públicos a favor de interesses particulares. Mas manda a verdade que acrescente que, se o plano foi todo congeminado pelo então presidente da CML, Santana Lopes, ele teve ou a aprovação ou a abstenção construtiva de todas as forças politicas representadas na Assembleia Municipal. E assim se desvirtuam também as regras do jogo… de futebol.
Escrito por Monteiro39 at 11:44 | Link permanente | Comentário (0) |

Mais longe, mais forte


O FC Porto está mais forte. Percebe-se essa força nos 12 golos marcados nos últimos três jogos e na facilidade com que se desembaraçou de problemas complicados como são o Nacional na Choupana ou o Sporting em qualquer lugar. Mas percebe-se essa força ainda melhor na coerência das exibições produzidas, na quantidade de oportunidades criadas e na recuperação da rapidez nas transições. Ora, é inevitável estabelecer uma relação de causa e efeito entre a chegada de Rúben Micael à equipa e o seu crescimento. O madeirense não se limitou a acrescentar as suas próprias qualidades - inteligência, agressividade, discernimento e técnica - à equipa, mas tornou melhores os jogadores à sua volta. Fez levantar o nevoeiro que se abatia sobre Belluschi e revelou um estratega no argentino que se suspeitava não existir. Devolveu o meio-campo aos campeões nacionais encurtando o espaço entre o ataque e a defesa e aproximando o jogo portista das balizas adversárias, revelando um Falcao ainda mais letal. E fê-lo enquanto aliviava a pressão sobre os laterais e os extremos ao reclamar para si próprio parte da atenção dos defesas adversários, ganhando espaço para Álvaro Pereira e Varela explorarem nos respectivos corredores. Rúben Micael fez este FC Porto mais forte. Imaginem só o que não faria com Hulk...

Jorge Maia OJOGO
Escrito por Monteiro39 at 11:09 | Link permanente | Comentário (0) |

2010/02/08

FC Porto 3 Naval 1º de Maio 0

FICHA DE JOGO
Liga 2009/10, 18.ª jornada
7 de Fevereiro de 2010
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 31.420 espectadores.

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa).
Assistentes: Pedro Garcia e Tiago Rocha.
Quarto árbitro: Diogo Santos.

FC PORTO: Helton; Fucile, Rolando, Bruno Alves «cap» e Alvaro Pereira; Tomás Costa, Ruben Micael e Belluschi; Varela, Falcao e Mariano. 
Substituições: Belluschi por Guarín (66m), Fucile por Miguel Lopes (83m) e Ruben Micael por Valeri (83m).
Não utilizados: Nuno, Maicon, Addy e Orlando Sá.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

NAVAL: Peiser; Carlitos, Gomis, Diego Ângelo e Daniel Cruz; Lazaroni «cap», Godemeche e Alex Hauw; Davide, Bolívia e Camora.
Substituições: Davide por Fábio Júnior (46m), Alex Hauw por Giuliano (67m) e Bolívia por Michel Simplício (75m).
Não utilizados: Jorge Batista, João Real, Adriano e José Mário.
Treinador: Augusto Inácio.

PS - Túnel da Luz

FC Porto apresenta parecer em que defende pena de um a quatro jogos para Hulk e Sapunaru
06.02.2010

O jurista João Leal Amado, especialista em Direito Desportivo, defende que as agressões de Sapunaru e Hulk a um assistente de recinto desportivo (steward) no túnel do Estádio da Luz devem ser penalizadas com uma pena de um a quatro jogos.

Isto porque, segundo aquele professor auxiliar da Faculdade de Direito de Coimbra, um steward é um “vigilante de segurança privada” e “a ordem jurídica não confunde as forças de segurança com os assistentes de recintos desportivos”. É com base nesta argumentação que o FC Porto deverá apresentar recurso junto do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

No parecer a que o PÚBLICO teve acesso, João Leal Amado considera que “não faltam boas razões para duvidar do acerto” do “enquadramento regulamentar” da acusação a Hulk e Sapunaru pela Comissão Disciplinar (CD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP). 

Contra os dois jogadores do FC Porto foram, recorde-se, deduzidas acusações nos termos das quais ambos teriam praticado infracções disciplinares muito graves contra “delegados ou outros intervenientes no jogo com direito ou permanência no recinto desportivo”, infracções puníveis com sanção de 6 meses a três anos, segundo o artigo 115.º, n.º 1, al. f, do regulamento disciplinar da LPFP. Mas, para o jurista, os “assistentes de recinto desportivo não são ‘intervenientes no jogo’, eles são, em certo sentido, justamente o oposto disso, visto que uma das suas tarefas centrais consiste em evitar que os espectadores possam intervir e perturbar o normal desenrolar do jogo”. No seu entender, “em princípio” não estão “autorizados a aceder e a permanecer num túnel de ligação entre o recinto de jogo e os balneários”.

João Leal Amado considera, assim, que “não se vislumbram razões válidas para enquadrar” as agressões de Hulk e Sapunaru no artigo 115.º. “Parece-nos estranho que o instrutor

acusador diga, preto no branco, que estabelece esse artigo que o jogador que cometa agressão contra outro interveniente no jogo com direito de acesso ou permanência no recinto desportivo, entre os quais o assistente de recinto desportivo, é punido com pena de suspensão de 6 meses a 3 anos e multa (...)”, cita. E questiona: “Como!? Entre os quais assistente de recinto desportivo!? O preceito diz isso? Não diz. O preceito não faz menção a qualquer assistente de recinto desportivo.”

Em conclusão, é referido que os jogadores não poderão “ser objecto de outra punição senão a prevista para as hipóteses em que um jogador agride qualquer outro elemento do público, nos termos do art. 120.º do regulamento disciplinar da Liga, que já qualifica a respectiva conduta como uma infracção disciplinar grave”, punível com uma pena de um a quatro jogos.
in Publico
Escrito por Monteiro39 at 18:13 | Link permanente | Comentário (0) |

2010/02/03

Jesualdo Ferreira acusa Comissão Disciplinar da Liga de dualidade de critérios

Futebol - FC Porto 
O treinador do FC Porto, Jesualdo Ferreira, acusou hoje a Comissão Disciplinar (CD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional de dualidade de critérios na análise e atuação sobre os incidentes nos túneis de Braga e da Luz.

“Os jogadores do Braga que vão ser castigados agora jogaram durante dois meses. Os jogadores do Porto não têm direito a trabalhar, participar”, criticou, referindo-se aos incidentes verificados no Sporting de Braga-Benfica e ao Benfica-FC Porto.

Sem entrar em detalhes, o técnico portista acha a situação “curiosa”: “O Braga vai ser penalizado agora. O FC Porto está a ser penalizado sem que se saiba muito bem qual o fim desta historia”.

A CD da Liga puniu hoje Vandinho com três meses de suspensão, Mossoró com três jogos e Ney (entretanto emprestado ao Vitória de Setúbal) com dois, na sequência dos incidentes do Braga-Benfica da nona jornada do campeonato.

“O Mossoró vai ficar três jogos de fora, mas, curiosamente, vai jogar com o FC Porto. É só uma curiosidade, uma coincidência”, ironizou.

E, a propósito dos casos dos túneis, concluiu: “Não quero mais falar do problema. Os jogos ganham-se dentro do campo. Não queria falar sobre isso”.

Jesualdo Ferreira também foi questionado quanto à não inclusão do “capitão” Bruno Alves na convocatória para o desafio da Taça de Portugal com o Sporting (5-2), mas escusou-se a confirmar os problemas disciplinares revelados pelos Media, considerando que “isso são problemas” que comunicação social está a “inventar”.


Escrito por Monteiro39 at 11:10 | Link permanente | Comentário (0) |

Taça de Portugal (4os de final) FC Porto 5 Sporting CP 2

FC Porto um a um

Beto 5 - Esticou-se no golo de Izmailov, mas não desviou a bola como queria. O remate foi fabuloso e o detalhe se podia ou não ter feito mais, e é possível que não, acabou por tornar-se irrelevante na enxurrada de golos portistas. Sofreu o segundo, a frio, no último minuto. Não fez mais porque o Sporting não exigiu...

Fucile 6 - Suficientemente atrevido para causar desequilíbrios, o entendimento com Varela teve algumas intermitências. É possível, porque assim determina a lógica, que tenha sido mais contido para compensar os avanços de Álvaro Pereira. E, se assim for, isso não deixa de ser uma prova de maturidade.

Rolando 7 - Não tremeu com a responsabilidade de disfarçar a ausência de Bruno Alves. Um deslize apenas no entendimento com Beto, já na segunda parte, largamente compensada pela boa parceria com Maicon e, claro, pelo golo que serviu de interruptor à goleada.

Maicon 7 - O contexto desfavorecia-o. A ele e a Jesualdo Ferreira. Qualquer deslize tornaria Bruno Alves num fantasma inevitável, mas a exibição, autoritária, permitiu-lhe sair por cima e ganhar algum fôlego, tornando a tal ausência num detalhe quase irrelevante. Foi bom para ele, para Jesualdo, para o FC Porto e para Bruno Alves.

Álvaro Pereira 7 - É cansativo vê-lo correr, avançado pela esquerda sem travões. Encontrou em Mariano uma muleta perfeita, criando, com ele, desequilíbrios que aterrorizaram a defesa do Sporting. Fê-lo sem comprometer a eficácia defensiva, apesar de algumas perdas de bola pelo caminho...

Fernando 7 - Outra vez sereno e senhor da zona central, que lhe competia vigiar. Moutinho, Matías Fernández e quem por lá andou teve a mesma sorte: esbarrou num muro quase intransponível.

Belluschi 6 - Marcou o canto que originou o primeiro golo e embalou para uma primeira parte vistosa, dividindo bem o espaço, e o protagonismo, com Rúben Micael. Os dois agarraram o jogo e marcaram o ritmo, que, naturalmente, viria a baixar na segunda parte.

Rúben Micael 7 - Descaído sobre a esquerda, por onde o FC Porto atacou mais, misturou raça, ousadia e eficácia. Passes longos, curtos e recuperações. Fez de tudo e ainda assistiu um golo de Falcao. Ocupou depois uma zona mais central, quando Jesualdo experimentou quatro médios, e a mudança não o favoreceu.

Varela 6 - O golo justifica nota alta. Já teve outras exibições mais vistosas, mas a frieza daquela dança de pés que terminaria em golo compensa o resto.

Falcao 8 - Goleador dos pés à cabeça. Literalmente. Além dos dois golos que marcou, ainda participou no de Rolando. Esforçado, não se limitou a esperar que os golos lhe caíssem do céu. Tratou de os procurar e encaixa bem como co-protagonista deste filme.

Tomás Costa 5 - Entrou para refrescar a zona central e, sem ter feito nada de especial, não comprometeu na tarefa.

Valeri 3 - Pouco tempo para acrescentar algo que se visse numa fase em que o jogo "esvaziava"

Orlando Sá 3 - O mesmo problema de Valeri. Escassez de tempo e um jogo resolvido...

Hugo Sousa   OJOGO

Escrito por Monteiro39 at 10:26 | Link permanente | Comentário (0) |

2010/02/02

Vai-se fazendo luz no Túnel

Miguel Sousa Tavares
Vai-se fazendo luz no túnel
Depois do relatório dos dois delegados da Liga ao Benfica-FC Porto de 20 de Dezembro, depois do relatório do próprio instrutor do processo, eis que surge o terceiro e decisivo elemento de prova do que realmente aconteceu naquele mal-afamado túnel, naquele final de tarde: o relatório da PSP (de Lisboa, senhores!), referido pelo Expresso de sábado passado. Nele se escreve que os incidentes «ocorreram APÓS provocações verbais dos stewards da Prossegur», ao serviço do Benfica. Assim, e de uma penada: a) — a Prossegur vai ter de explicar como é que tem ao seu serviço seguranças que vão esperar jogadores à saída de um jogo, enfiando-se no túnel a provocá-los e como é que, ainda por cima, mentiu publicamente sobre esse facto; b) — o Benfica deveria explicar como é que consente tais comportamentos de um pessoal por si contratado; e c) — a Comissão Disciplinar da Liga vai ter de explicar como é que tem dois jogadores suspensos preventivamente há dois meses por terem reagido fisicamente a provocações (leia-se, insultos) verbais de quem, afinal de contas, tem por missão evitar problemas e não criá-los. Eu sei que cada um é como é, mas eu, se me chamarem «filho da p****», não retribuo com um sorriso.

«Mão amiga» disponibilizou anteontem, no site de A BOLA, as célebres imagens do túnel — tal como era de prever, a partir do momento em que se descobriu que as imagens não são meio de prova legítimo para procedimentos disciplinares. Aqui, no Rio de Janeiro, onde estou, devido a dificuldades com a net não consegui ver mais do que escassos segundos desse filme de série B. O suficiente para perceber que as imagens não são contínuas, mas sim montadas, e que, convenientemente também, não há som ambiente, para ouvirmos as tais provocaçõezinhas verbais dos senhores da Prossegur. Mas o pouco que consegui ver, também serviu para apurar duas coisas estranhas: uma, que eles não estavam à espera dos jogadores pacificamente encostados à parede ou à conversa entre si, mas sim alinhados a meio do túnel, virados para a sua entrada e em atitude de quem tem alguma coisa ensaiada; e outra, que um misterioso personagem civil, de fato escuro, percorre duas vezes a fila dos seguranças falando discretamente com eles. Adorava saber o que lhes terá dito… Mas uma coisa me basta, nesta altura do campeonato: quando aqui há umas semanas escrevi que isto me começava a cheirar a «emboscada no túnel», ainda só tinha a versão dos jornalistas benfiquistas — com os «factos» já apurados pelo testemunho benfiquista, e a sentença já dada, de acordo com as denunciadas intenções da CD. Pois, agora, já não tenho dúvida alguma: os factos foram deliberadamente deturpados, os réus estão trocados e o túnel da Luz tem de ser investigado a sério.

Rúben Micael e Cléber, ambos então jogadores do Nacional, já tinham dito que se passavam estranhas coisas no túnel da Luz, que mereciam ser investigadas. Na semana passada, eles confirmaram as declarações e o Benfica respondeu com um comunicado não muito elegante, acusando o Rúben de já estar a mostrar serviço ao FC Porto. Infelizmente para o Benfica, porém, as televisões repescaram e puseram no ar as declarações de Rúben Micael, feitas na altura, em Outubro passado, quando nem ele nem o FC Porto suspeitavam ainda que se iriam encontrar. E também ficámos a saber que já na época anterior, naquele mesmo local, também houve umas provocaçõezinhas aos jogadores ou «agentes desportivos» do FC Porto, mas que não acabaram em vias de facto, nem foram registadas pelas câmaras, porque estas, coincidentemente, tinham sido desligadas de véspera… Mais estranho ainda foi saber também que já então a PSP enviara um relatório desses factos à CD da Liga — a qual não viu motivo para agir, de forma alguma. Tanta coisa que afinal acontece naquele túnel e só agora é que os justiceiros se preocupam com ele!

Apurado assim o que, de facto, aconteceu no túnel do Benfica, desmentida por quem de direito a versão entusiasticamente acolhida desde logo pela imprensa ao serviço do Benfica, resta enquadrar juridicamente tais factos para chegar a uma decisão.

Pois bem. Como já se percebeu, é intenção da CD não penalizar nunca os jogadores do FC Porto em menos de três meses de suspensão — qualquer coisa como uns doze jogos. É o que se infere da tranquilidade com que logo os pôs em suspensão preventiva até final do processo — o qual nunca demorará menos de três meses. Então, virá sempre aplicar-lhes uma pena que cubra todo o período de suspensão preventiva. E assim dirão que fizeram «justiça» e até foram brandos. Sem vergonha alguma.

Antes de ter visto a «verdade provisória» desmascarada pelos delegados e instrutor da própria Liga e pela PSP, a CD actuou como se estivesse em face do mais grave incidente jamais protagonizado por futebolistas num estádio português. Basta pensar que o Cristiano Ronaldo partiu o nariz com uma cotovelada intencional a um adversário e levou dois jogos de suspensão — reclamados pelo Real Madrid, com o apoio da nossa imprensa desportiva. E o João Vieira Pinto, depois de expulso pelo árbitro, enfiou-lhe um murro no estômago, em jogo dos quartos-de-final de um Mundial de futebol, com meio planeta a ver — e levou seis meses de suspensão, com reclamação da FPF e da nossa imprensa desportiva. Mas, para os jogadores do FC Porto, que apenas perante escassas testemunhas responderam a murro e a pontapé a uma provocação organizada de elementos estranhos ao jogo, que estavam onde não deviam estar (e por isso é que o Benfica é multado), a esses, a CD queria aplicar-lhes nada menos do que seis meses a três anos de suspensão!

O mais extraordinário para mim é pensar em como a cegueira e ódio clubísticos chegaram a tal ponto que haja gente, aparentemente razoável e bem formada, que ache isto possível e natural. E, para o fazerem, agarram-se ao argumento de que a lei, de facto, é absurda, mas é assim e há que aplicá-la.

Já foi explicado uma e outra vez, mas volto a explicar: a lei pode ser absurda, mas não é assim. Assim é apenas a interpretação que da lei quer fazer o dr. Ricardo Costa e a CD da Liga. O que a lei diz é que tais penas serão aplicadas a quem agredir «agentes desportivos» — mas não diz quem são ou devam ser considerados «agentes desportivos». E, vai daí e sem hesitar, a CD resolve que, tendo as pretensas agressões sido cometidas por jogadores do FC Porto sobre seguranças privados ao serviço de um clube, tais seguranças são automaticamente elevados à categoria de «agentes desportivos». Não é preciso ser jurista nem muito perspicaz para perceber que isto é uma batota descarada. Um agente desportivo, não sendo um jogador (porque, para agressões cometidas sobre esses, conta outra cláusula do regulamento e punições infinitamente mais suaves), só pode ser alguém que intervenha no jogo, acreditado para tal pela própria Liga. E há-de ser alguém cujas funções sejam de tal forma importantes que possam gozar desta protecção extrema: os árbitros, técnicos e dirigentes e delegados da própria Liga. Não, com certeza, os apanha-bolas, os arrumadores e porteiros, os empregados dos bares concessionados ou os seguranças. Nem sequer os policias de serviço. Nenhum destes elementos, seguranças incluídos, está acreditado pela Liga — que, aliás, nem sabe quem eles são. Só mesmo um delírio persecutório e o tradicional assanhamento da CD contra o FC Porto permite imaginar que é possível promover os seguranças do Benfica a «agentes desportivos» — com o efeito útil, no caso, de tirar do jogo e do campeonato o mais temível avançado portista.

Aliás e como já notou o meu correligionário Rui Moreira, se a Liga agora considera os stewards como «agentes desportivos» estamos perante uma curiosa situação de direitos sem deveres correspondentes. Se os stewards são agredidos, ai Jesus, que agrediram um agente desportivo! Mas se são eles a agredir ou a insultar, é pena, mas nada se pode fazer, porque quem manda neles é o clube que os contrata e não a Liga, que não tem qualquer poder disciplinar sobre eles. Não é preciso ter sequer dois dedos de testa para entender que está aberta a porta para toda a espécie de batota organizada: basta contratar um bando de jagunços, chamar-lhes stewards e mandá-los para o túnel ou para a pista agredir e insultar os adversários. E, quando estes responderem, faz-se justiça: seis meses a três anos de suspensão para os jogadores; nada para os seguranças. Que ovo de Colombo!
E depois, vêm falar em verdade desportiva e moralização do futebol! Tenham vergonha e deixem jogar o Hulk, sem medo! Porque é disso e só disso que se trata.

2 E ainda dizem que o Brasil é que é um país atrasado. Aqui, o futebol joga-se nos estádios, à vista de todos. Como o fantástico Fla-Flu deste domingo, ao final da tarde, no Maracanã, terminado 5-3, com o campeão Flamengo a virar o resultado, só com dez e comandado pela dupla de retornados do seu ataque: Adriano e Vagner Love. Por um dia, até deu para esquecer o futebol de túnel.
Crónica do Miguel "surripada" do Blog:http://portistaforever.blogspot.com/
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2010/01/29

Incendiários


O autocarro do FC Porto e o carro de Pinto da Costa foram apedrejados no último fim-de-semana quando se dirigiam para o Estoril. Ninguém tomou posição sobre o assunto. Nem a Liga, nem a Federação, nem gente que tem opinião sobre quase tudo, ninguém repudiou a cobardia de tais actos, nem o risco que implicaram para a integridade física de jogadores, técnicos e dirigentes, nem as sementes de violência que os mesmos terão semeado num terreno fertilizado pela quantidade de porcaria que tem sido atirada para cima do futebol português nos últimos tempos. A Comissão Disciplinar da Liga entretém-se a regar o cenário com gasolina enquanto a Comissão de Arbitragem brinca alegremente com todos os fósforos que, inconsciente, consegue tirar da caixa de Pandora que lhe puseram nas mãos. E andamos nisto, agradecendo aos deuses ou ao frigorífico que o sorteio da Taça da Liga não tenha colocado FC Porto e Benfica na mesma meia-final para não termos de antecipar o início da época de incêndios para o dia de um clássico qualquer. E esperando que alguém ponha a mão a isto, antes que isto acabe mal.

Jorge Maia em OJOGO
Escrito por Monteiro39 at 13:56 | Link permanente | Comentário (0) |

2010/01/28

Escandalo! Enquanto o Povo aperta o cinto


Acordo com a Câmara de Lisboa valeu ao Benfica 65 milhões de euros

PJ termina investigação sobre o financiamento do novo Estádio da Luz

00h33m

NELSON MORAIS

O Benfica encaixou 65 milhões de euros à custa do contrato-programa firmado com a Câmara de Lisboa, no âmbito do Euro 2004. Santana Lopes não é arguido, apesar de a PJ ter concluído que município, a que ele presidia, instrumentalizou a EPUL para financiar o Benfica.

Já Carmona Rodrigues, à data dos factos vice-presidente da autarquia, é um dos cinco arguidos constituídos durante a investigação que a PJ acaba de concluir, sob a direcção da unidade especial do Ministério Público criada para investigar o Apito Dourado. Os restantes arguidos são ex-administradores da EPUL - Empresa Pública de Urbanização de Lisboa.

O inquérito centrou-se no contrato-programa assinado, em Julho de 2002, pela Câmara de Lisboa, EPUL, Benfica e Sociedade Benfica Estádio SA. O acordo fixava os moldes da participação da EPUL na construção do novo Estádio da Luz, para o Euro 2004.

Um relatório da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), que suportou o trabalho da PJ, apontou défices de transparência ao contrato-programa, referindo que as formas de apoio acordadas e atribuídas ao Benfica "consubstanciam verdadeiras comparticipações financeiras, concedidas por instâncias municipais". "O contrato contrariou os normativos legais vigentes", acrescentou a IGF, por não terem sido quantificados devidamente os encargos das entidades públicas envolvidas, em desrespeito pelos princípios da boa gestão dos dinheiros públicos. A investigação conclui que, ao aprovarem o referido contrato-programa, a Câmara e a Assembleia Municipal de Lisboa "instrumentalizaram a EPUL", fazendo-a assumir encargos directos de 18 milhões de euros na prossecução de fins estranhos ao seu objecto social. Mas, além dos 18 milhões, o Benfica encaixou mais 47, pois o contrato-programa ainda lhe permitiu vender um terreno à EPUL e receber outro da Câmara de Lisboa (ver caixa).

Os 18 milhões referidos decorrem de dois negócios. Num deles, a câmara decidiu que a EPUL construiria 200 fogos, em terrenos seus, no Vale de Santo António, e entregaria um terço dos lucros da sua venda. O Benfica recebeu 9,9 milhões de euros, apesar de a EPUL nunca ter construído as 200 habitações. Segundo o então presidente da EPUL, Sequeira Braga, foi Santana Lopes quem definiu que seriam dados 10 milhões de euros ao Benfica, através de um projecto imobiliário da EPUL.

A outra parcela dos 18 milhões resulta do compromisso da Câmara de pagar, através da EPUL, os ramais de ligações às infra-estruturas de subsolo para o estádio. Isto valeu ao Benfica oito milhões de euros, sendo que 80% das facturas que cobrou à EPUL respeitavam a serviços de consultoria: só 20% tinham a ver com os ramais. De resto, parte das facturas tinha data anterior ao contrato-programa.

A IGF detectou ainda outra irregularidade naqueles oito milhões. Mais de um milhão era IVA, sendo que a operação em causa não estava sujeita a incidência deste imposto, por se tratar da comparticipação financeira, de uma entidade pública (EPUL), na construção de um equipamento desportivo.

Nenhuma irregularidade detectada nas facturas do Benfica foi valorizada, para efeitos de responsabilização criminal dos dirigentes do clube.

Inquirido, como testemunha, Santana Lopes assumiu que as negociações com o Benfica que conduziram à elaboração do contrato-programa foram feitas por si e pelo vice-presidente. Carmona Rodrigues, arguido, disse que o dossiê Benfica era tratado directamente por Santana Lopes. E, de resto, várias testemunhas e arguidos coincidiram na versão de que a execução do contrato-programa foi tratada ao mais alto nível, na EPUL, na Câmara e no Benfica.

Escrito por Monteiro39 at 19:43 | Link permanente | Comentário (0) |

2010/01/27

Jornalista de A Bola freteiro do Benfica


27/01/2010
BATE CERTO!
O FC Porto teve acesso a um parecer do Conselho Deontológico do Sindicato de Jornalistas que todos os portistas devem ler, pois ajuda a reforçar aquilo que já sabemos acerca de José Manuel Delgado. A foto que aqui se reproduz também é elucidativa… Foi tirada em pleno camarote presidencial do Estádio da Luz, na última segunda-feira… O jornalista de A Bola está em segundo plano, ao centro.

«O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considera que o jornalista José Manuel Delgado, não cumpriu com escrupuloso rigor as regras deontológicas do artigo 1º do Código Deontológico do Sindicato dos Jornalistas: (“O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público”).

O autor do artigo ao encapotar as fontes, sem que justifique qualquer motivo que excepcione a sua citação, descredibilizou o seu trabalho, infringindo a primeira parte do preceituado do artigo 6º “o jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das suas fontes” e a última parte do mesmo artigo: “as opiniões devem ser sempre atribuídas”.»


Parecer 16/P/2009, Lisboa, 9 de Setembro de 2009, Caso «Felipes» do Século XXI/A Bola

Está visto por que foi este o redactor que mais textos assinou para tentar excluir o FC Porto da UEFA Champions League e mais se «bateu» para condenar sumariamente Hulk e Sapunaru após o Benfica-FC Porto desta temporada...
Escrito por Monteiro39 at 23:38 | Link permanente | Comentário (0) |

Um artigo altamente esclarecedor de Manuel Queiróz sobre os detentores da verdade desportiva


«É absolutamente lamentável a resposta do Benfica à notícia de ontem da Lusa, que inclusivamente tem um suporte vídeo a comprová-la, sobre incidentes no túnel da Luz após o Benfica-FC Porto da época passada.
Há, de facto, uma agressão e, muito pior do que isso, é que ela é verdadeiramente preparada por dois funcionários que têm o cuidado de antes desviarem a câmara de filmar para a parede de modo a não poder filmar a cena. E a agressão é consumada exactamente nesse lugar e conhece-se porque é captada por outra câmara de que, pelos vistos por "incompetência", aqueles funcionários se esqueceram.

Ora o comunicado em que o Benfica responde é uma diatribe contra um jornalista de grande craveira - e posso atestá-lo na primeira pessoa porque trabalhou muitos anos comigo, no "Público" - e que é, exactamente por ser um homem íntegro e um jornalista preparado e experiente, o editor de desporto da Lusa. Como já o foi do JN e do Púbico. Fossem todos os jornalistas como é o Francisco J. Marques e o país e o jornalismo estavam bem melhores, disso não tenho eu dúvida.
E isto não é corporativismo, nem amiguismo. É apenas justiça.

Responder aos factos atacando torpemente o mensageiro é algo que só faz quem sabe que não tem razão porque não tem argumentos. Em vez de apresentar uma razão para os lamentáveis comportamentos dos seus funcionários, o Benfica limita-se a atacar o jornalista que competentemente fez a notícia. Em vez de anunciar um processo disciplinar aos seus funcionários, vai fazer queixa do jornalista. É por tudo isto que fiquei sem dúvidas sobre o que estava por detrás.

E mais ainda: que o clube anuncie uma queixa à ERC, vá que não vá, sempre é uma entidade que tem autoridade directa sobre as empresas de comunicação; mas que anuncie também uma queixa ao ministro Jorge Lacão, sob o argumento de que é ele tutela a Lusa, é algo que foge à minha compreensão, até porque o ministro deve ter bem mais em que pensar e ainda não tutela a direcção de Informação. E tudo isto - a cena relatada pelas imagens e o comunicado - é algo que mostra como o discurso moralista que tem sido adoptado no clube é, no mínimo, hipócrita. E mais ainda, permite que se tenha os piores pensamentos - porque degradantes - sobre o que se passou no mesmo túnel já esta época.»
Manuel Queiroz, 24/01/2010
in 
'De Trivela'


Numa altura em que a comunicação social está, mais do que nunca, dominada pelo clube do regime;
numa altura em que 
O JOGO e o JN fazem parte da Controlinveste;
numa altura em que Joaquim Oliveira procura renegociar com o SLB o contrato das transmissões televisivas;
é um oásis ainda haver jornalistas que não têm medo de perder o emprego e têm a coragem de chamar os bois pelos nomes.
Um grande bem haja ao Manuel Queiroz!
O meu muito obrigado ao meu amigo José Mendes por este artigo
Escrito por Monteiro39 at 17:04 | Link permanente | Comentário (0) |